ENTREVISTA A ADMAR LOPES

Admar Lopes, braço direito de Luís Campos, e novo Diretor Geral para o Futebol do Boavista detalhou, em entrevista ao nosso site, o projeto “ambicioso” a que o clube se propõe. “Estamos a criar as bases para um futuro de sucesso”, contou.

 

Quais são os principais pressupostos do novo projeto do Boavista?

Em primeiro lugar, queria acabar, de uma vez por todas, com a ideia de que existe uma ligação com o Lille. Não existe! O Boavista é e será sempre completamente autónomo e tem um projeto totalmente independente, ainda que com as ideias e os princípios que foram aplicados pelo professor Luís Campos e por mim no Mónaco, que foi campeão de França, e mais recentemente no Lille, que lidera atualmente o campeonato. Dito isto, neste momento estamos a trabalhar para criar as bases para termos um futuro sustentado e recheado de sucessos desportivos.

 

Sendo assim, quais são as várias fases previstas para este projeto?

O objetivo é claro: não queremos ser bem-sucedidos apenas durante um ano, queremos que o Boavista tenha sucesso de uma forma contínua e consistente a médio e longo prazo. Para isso, repito, é preciso criar bases fortes e, nesse sentido, a aposta não se tem ficado apenas pela construção de um plantel competitivo e com um grande futuro. Isto porque estamos, igualmente, a modernizar o Clube a todos os níveis, desde logo pelo melhoramento das nossas infraestruturas, como é o caso da construção do novo Complexo Desportivo que substituirá os antigos campos de treinos contíguos ao Estádio – e que contamos que esteja concluído ainda este mês. No entanto, estamos a modernizar o Clube respeitando sempre os valores e a grande história do Boavista. Em suma, estamos a construir um Clube capaz de ser cada vez mais pujante e afirmativo no panorama do futebol nacional e, nesse sentido, o investimento será faseado, sempre em crescendo, de forma a termos, a médio prazo, objetivos desportivos ainda mais ambiciosos.

 

O Boavista esteve muito ativo no mercado de transferências, com a contratação de vários internacionais. Como foi pensada a construção do plantel?

Em primeiro lugar, aproveitámos os muitos jogadores que estavam em final de contrato com o Clube para construir um plantel de raiz a pensar em vários anos. Contratámos jogadores jovens, com grande talento e potencial, e que serão a base para o futuro, uma vez que o objetivo é que muitos deles fiquem connosco durante vários anos. Depois, sentimos que também era importante ter uma espinha dorsal de jogadores mais experientes de forma a permitir o crescimento mais sustentado dos mais jovens. Em todos os casos, foi analisado, para além das qualidades físicas, técnicas e táticas, o perfil psicológico de todos os jogadores, de forma a encaixarem na cultura do Boavista.

 

Como se processou a escolha dos jogadores?

Os mais jovens foram escolhidos pela sua competência e qualidade desportiva baseada numa estratégia de scouting global que já apresentou resultados de excelência no passado, não só no Lille, como também no Mónaco. Depois disso, também foi preciso perceber se esses jogadores se enquadravam no ADN e na cultura do Boavista, sendo que para isso analisámos o perfil psicológico de todos os atletas que integram atualmente o nosso plantel. Ou seja, contratamos jogadores de qualidade, mas também, e sobretudo, jogadores que fossem capazes de se enquadrar naquilo que é o maior património do Boavista: a garra, a determinação, a superação e a frustração de, neste Clube, não se saber conviver com os maus resultados. Não queremos jogadores acomodados; queremos jogadores que sintam o peso de carregar o símbolo do Boavista. Posso até confidenciar uma situação vivida já esta época e que me deixou ainda mais tranquilo relativamente ao futuro próximo: quando cheguei ao balneário no final dos jogos fora com o Nacional e Moreirense, em que empatámos, senti uma enorme frustração em todo o grupo de trabalho. Estes jogadores só querem ganhar e já perceberam, apesar de alguns terem ainda pouco tempo de Clube, que no Boavista só garantimos a satisfação plena quando vencemos.

 

Qual foi o papel do professor Luís Campos na construção do plantel?

O conhecimento e a credibilidade que o professor Luís Campos tem no mercado e na relação com os clubes foi determinante, isto porque conseguimos contratar vários jogadores que estavam a ser disputados por clubes com um poder económico substancialmente superior ao nosso. Nesses casos, convencemos os jogadores através da ambição que colocamos no nosso projeto, não sendo possível dissociar este sucesso da competência e reputação do professor Luís Campos. Deixe-me ainda referir que este trabalho não é só meu ou do professor Luís Campos, é também do Presidente Vítor Murta. Existe uma sintonia total com o Presidente e com toda a estrutura, não só nas ideias, mas também na forma como queremos colocar essas ideias em prática.

 

A qualidade de jogo da equipa é um fator fundamental para este projeto?

Sem dúvida. Aliás, como é que se consegue valorizar jogadores, treinadores e, em última instância, o próprio Clube se não formos capazes de apresentar um futebol entusiasmante para os nossos adeptos? É evidente que o principal objetivo passa por criar uma cultura permanente de vitória, de exigência máxima no dia a dia e de grande profissionalismo em todas as áreas. Queremos elevar a fasquia, exigir cada vez mais de toda a gente no Boavista e, para isso, estamos a trabalhar para oferecermos condições de excelência a todos os níveis. É neste cenário que se enquadra o nosso treinador, Vasco Seabra, que é alguém que está claramente identificado com este projeto, assim como com toda a estrutura profissional coordenada pelo Ricardo Costa, uma pessoa com uma grande competência e conhecimento da cultura do Clube. Temos o objetivo de jogar um futebol que seja condizente com o potencial técnico dos nossos jovens talentos, mas que também beba muito do ADN do Boavista em termos de agressividade, garra e querer. Pretendemos evoluir e modernizar o Clube em todas as áreas e ter um estilo de jogo próprio e que esteja cada vez mais definido e vincado. Estou certo de que, assim, vamos criar uma simbiose perfeita com a nossa massa adepta, que é das melhores do país, de forma a voltarmos a criar um ambiente infernal para os nossos adversários sempre que nos visitam no Estádio do Bessa.